Ler e Meditar

Quem ainda não ouviu essa pergunta, possivelmente ouvirá e, se refletir um pouco, poderá se perguntar: há falta de informação sobre o que é Espiritismo? Ou há mais que um Espiritismo?

O termo kardecista parece ter se originado nos períodos de intranquilidade política em nosso país quando era necessário obter autorização para realizar reuniões de cunho religioso e as normas oficiais previam autorização desde que fossem classificadas como católicas ou espíritas. Com isso, para poder se reunir, os adeptos de muitos cultos espiritualistas passaram a se auto-intitular espíritas. As diferenças entre as práticas religiosas levaram os espíritas a adotar o termo kardecista como meio de sinalizar que o Espiritismo original era baseado no estudo, interpretação e prática dos princípios organizados por Allan Kardec com base nos ensinamentos dos espíritos.

Há na internet referências sobre um estudo que detectou o registro de um elevado número de centros espíritas nas décadas de 40 e 50 e uma inexplicável queda nas décadas seguintes. A redução do número de centros espíritas parece indicar que os participantes de outras práticas espiritualistas se emanciparam, mas o hábito da população de chamá-los de espíritas permaneceu.

O último censo do IBGE indica que o número de pessoas que se declaram espíritas mais que dobrou entre o censo de 1980 e 2000 saindo de 0,7% para 1,4% da população, chegando atualmente à quase 3 milhões de brasileiros. Será que os espíritas estão perdendo o receio de esconder sua crença?

À medida que cada vez mais pessoas estão estudando e compreendendo os conteúdos apresentados pelos espíritos e organizados por Kardec, o termo kardecismo tende a cair em desuso, pois fica claro que não há mais que um Espiritismo e, com isso, outras respeitáveis manifestações espiritualistas deixam de ser confundidas com ele.

O espírito Antonio Grimm, através do médium Maury Rodrigues da Cruz nos lembra de que ninguém tem o monopólio do conhecimento, do saber, da virtude e da verdade.

As religiões, sendo fruto da construção humana, seriam comparáveis a mapas que apresentam versões diferentes sobre o mesmo caminho, e mesmo que usemos mapas mais precisos, ainda dependeremos da interpretação e da prática que cada um de nós possa fazer. A matéria de capa desta edição procura desdobrar o assunto e responder a uma crítica pergunta: – O que é ser espírita?

Texto extraido da Revista Ser Espírita terceira edição

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